Parque Estadual de Vila Velha: contemplação da natureza milenar.

Tenho muitas lembranças de viagens da época de infância com minha família nuclear. A maioria era para casa de nossos parentes aqui no Paraná, sendo Londrina, Curitiba e Tapejara nossos principais destinos.  Nossas férias eram recheadas de brincadeiras com os primos e primas e muita, mas muita liberdade. Em uma de nossas viagens à Curitiba meus pais resolveram visitar o Parque Estadual de Vila Velha. Tenho alguns flashes desse passeio.

Depois disso, passei, por inúmeras vezes, em frente às grandes rochas, que são chamadas de arenitos e que podem ser contempladas da BR 376. Sempre que passava me lembrava da visita na infância e pensava que queria muito fazer o passeio novamente.

Vila Velha_ponta_grossa_parana_Arenitos.jpg
A grandeza e beleza dos arenitos no Parque Estadual de Vila Velha.

Então, quando planejamos ir à Carambeí, resolvemos colocar Vila Velha no roteiro. Em nossa primeira ida à Colônia Holandesa, nossos planos não foram realizados. Mas, ao ir para lá em dezembro para curtir o Natal no Parque Histórico de Carambeí, conseguimos finalmente visitar Vila Velha. Foi uma viagem muito agradável, principalmente porque estávamos em ótima companhia: nós aqui de casa, a sogra e um casal de amigos muito queridos.

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Vejam só: esta bota é tão perfeita que tem até lugar para passar os cadarços.

O Parque Estadual de Vila Velha é um atrativo natural de Ponta Grossa que foi criado em 1953. Claro que tudo já estava lá há milhões de anos. Na visita é possível contemplar os arenitos, a Furna e a Lagoa Dourada. Os turistas podem fazer as trilhas para esses três passeios.

Nós fizemos apenas o passeio dos arenitos. Que é o que mais me encanta desde sempre e chama a atenção todas as vezes que passamos pela BR. O que me cativa nos arenitos é justamente saber que, estão ali há milhões de anos, passando por diversas transformações. Sempre ouvi dizer que lá era parte do fundo do mar, o que foi confirmado pelos guias do local. Isso sempre me fez olhar para aquele lugar com muita curiosidade.

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O que seria isso? Para mim é um pato…rsrs 🙂

Pesquisando um pouquinho, encontrei informações dizendo que os arenitos foram sendo esculpidos ao longo dos anos, pelos ventos, pela água da chuva, pela radiação solar e outros organismos (LETENSKI, et al., 2009). É de ficar encantado, não? Em determinado ponto do nosso passeio, tinha uma grande quantidade de areia, bem branquinha no chão. Perguntei para a guia o porque daquela areia toda. Ela disse que há um tempo atrás teve muita chuva e que provocou a erosão de um dos arenitos. Ou seja, o arenito todo destruído, virou pura areia…eu achei incrível.

Outro aspecto que chama atenção de qualquer visitante é que os arenitos foram tomando formas de objetos, animais e pessoas. Isso faz o passeio na trilha ficar ainda mais interessante e divertido, pois você pode passar o trajeto brincado de definir com o que cada rocha se parece. E tem algumas que são realmente muito parecidas com objetos do dia-a-dia. É incrível! Só não se sabe por quanto tempo ainda serão assim, já que as transformações continuarão acontecendo. Acho que nós não veremos como elas ficarão, afinal de contas, as mudanças são muito lentas.

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O Arenito mais famoso do Parque: a taça.

Como disse, o parque está aberto à visitação desde 1953.  Lembro que em nossa visita quando criança, nós subimos em algumas rochas para tirar fotos e andávamos em qualquer lugar (muito das lembranças são por causa das poucas fotos que temos dessa visita). E nessa época as pessoas escreviam seus nomes nos arenitos. Algo irreparável, mesmo com todo cuidado que existe hoje.

Desde 2004 as visitas são feitas de maneira diferente. O percurso foi delimitado, as trilhas passaram a serem calçadas e monitoradas. Tudo isso para proteger os arenitos e recuperar um pouco da vegetação que havia sido devastada (LETENSKI, et al, 2009). Sem contar que os carros de visitantes não podem circular próximo as trilhas. É legal respeitar as regras e cuidados existentes no parque, assim estaremos contribuindo com a preservação do local.

A Trilha dos Arenitos 

Trilha_arenitos_Vila Velha_parana.jpgA trilha inteira tem cerca de 2,5 km. Levamos no máximo 2h para percorrer tudo. Isso porque fomos devagar, parando para tirar fotos, olhando os arenitos e procurando animais na mata. O percurso da trilha é em torno dos arenitos. Em uma parte, é quase toda sob o sol, com alguns trechos de sombra dos próprios arenitos (dependendo do horário). A outra parte da trilha é dentro da Mata. Com muita sombra. Com sorte você encontra algum bichinho simpático pelo caminho. Nós vimos um lagarto e vários esquilos fofos que estavam se alimentando nas árvores. Vila_velha_parana_trilha.jpgA trilha pode ser feita por adultos, crianças, e até pessoas idosas. Nosso grupo tinha essas três faixas etárias. O pequenino de casa que normalmente dá showzinho para andar, andou quase tudo sem ficar reclamando tanto (não que não tenha reclamado… rs). Mas, a dica é inventar brincadeiras, histórias e fazer tudo ser interessante pra eles. Assim, eles andam e nem percebem. Se não, o jeito é carregar um pouco no colo ou de cavalinho.

Alimentação no Parque Estadual de Vila Velha

Não é permitido lanchar na trilha. Então, você tem duas opções, ou come antes de começar a trilha ou come depois. No parque tem uma pequena lanchonete com poucas opções de salgados e bebidas. Eu sugiro que você leve um lanche comprado em outro lugar. Porque, sinceramente não gostei dos salgados que havia lá. Como o parque é bem perto de Ponta Grossa, dá pra parar e comprar algo.

Como Chegar ao Parque?

O Parque fica na BR 376, logo depois de Ponta Grossa em direção à Curitiba. Na rodovia tem placas de acesso e é fácil de chegar. Fica a 295 km de Londrina. É uma distância considerável. Porém, como tem diversas opções de passeios pra fazer naquela região, não é uma viagem perdida. Dá pra reservar um fim de semana e conhecer vários lugares diferentes, como Carambeí, Castrolanda e Colônia Witmarsum (em breve falarei sobre ela). Mas, esse também é um tipo de passeio que você pode fazer quando estiver de passagem. O parque funciona das 8h30 às 15h30. Tente programar sua viagem para passar por lá em alguns desses horários. Ponta_grossa_vila_velha_parana.JPG

Outras informações

  • Para fazer as trilhas é preciso pagar uma taxa. A trilha dos arenitos custa R$ 10,00. Para Lagoa Dourada e Furnas o custo é de R$ 8,00. Se quiser visitar os três, também é possível (R$ 18,00). Não visitamos, pois terminaríamos muito tarde e ainda tínhamos que retornar para Londrina. Mais um motivo pra voltar e fazer a trilha da Lagoa Dourada e Furnas, pelo menos…hehe.
  • Quando você chegar ao parque seu carro ficará no estacionamento, que não é pago (ufa). Os visitantes são levados por um ônibus até o inicio da trilha. Por isso, ao descer do carro, pegue apenas os pertences necessários (água, dinheiro, documentos, repelente, protetor solar, óculos escuros, chapéu, etc), pois, durante a trilha você terá que carregá-los, então não é bom ter uma mochila muito pesada. Por outro lado, se esquecer de alguma coisa não dará pra voltar até o carro facilmente.

Se quiser conferir outras postagens sobre Vila Velha aí vão alguns dos blogs que já estiveram por lá (é só clicar em cima do nome do blog que você será redirecionado ao artigo). Se você estiver querendo visitar o parque, vale a pena dar uma lida, pois tem outras informações que com certeza te ajudarão a organizar seu passeio, incluindo relatos e detalhes sobre a trilha da Lagoa Dourada e Furnas. Na minha percepção o que está mais completo é o do blog Os Caminhantes.  

 Os Caminhantes: Parque Estadual de Vila Velha

Carpediem: Parque Estadual de Vila Velha

Pé Na Estrada: Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Le touriste: Paraná: Passeio no Parque Estadual de Vila Velha é nota 10.

Viaje na viagem: Vila Velha (PR): como chegar de transporte público.

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Referências

Letenski, R.; Guimarães, G.B.; Piekarz, G.F.; Melo, M.S. Geoturismo no Parque Estadual de Vila Velha: nas trilhas da dissolução. Pesquisa em turismo e Cársticas, 2(1). Campinas, 2009.

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